Terapia dos chás – parte 1

Todo dia agrade a si mesmo.
Prazer do dia: convide suas amigas para um chá.

Texto: Dennia Trindade
Revisão: Ju Tolêdo

O chá é uma bebida muito utilizada, perdendo apenas para a água como a bebida mais consumida no mundo. Isto quer dizer que existe chá de todo sabor, cor e, especialmente, indicação – afinal, quem nunca tomou um chazinho disto ou daquilo para dar um “up” na saúde?!

Antes de qualquer coisa é preciso dizer que os chás feitos do caule ou de partes duras da planta, como é o caso da canela, exigem fervura. Mas a maioria deve ser feita sob a forma de infusão: em primeiro lugar deve-se esquentar a água até pouco antes da ebulição e despejá-la nas folhas de chá bem devagar e do alto, o que ajuda na redução do processo oxidativo. A infusão deve ficar abafada por um período de 2-3 minutos.

É importante comprar os chás em um fornecedor de confiança. Aqui em Goiânia, nosso parceiro Nação Verde possui todas estas plantas, cuidadosamente selecionadas para que seu chá realmente fique gostoso e faça efeito.

Mas, será que os chás funcionam? Ou será que é apenas um mito popular, sem qualquer fundamentação científica? Fomos atrás deste vasto mundo que é a terapia dos chás para contar para vocês o que os cientistas dizem a respeito.

  • Camellia sinensis: o chá produzido a partir das folhas desta planta é, depois da água, a bebida não alcoólica mais consumida no mundo. Não está reconhecendo?Chá verde

Dependendo do nível de fermentação ou oxidação, o chá proveniente das folhas da C. sinensis pode ser classificado em três tipos: chá verde, que não sofre fermentação durante o processamento, mantendo a cor original de suas folhas e sendo muito consumido no mundo; o chá oolong, que é parcialmente fermentado, resultando em um chá verde-preto, e tendo sua produção e o consumo acentuados na China; e o chá preto, cujo processo de fermentação é maior do que o do chá oolong, o que contribui para sua coloração escurecida, além de conferir um sabor característico. Este tipo de chá é mais popular na América do Norte e Europa. Destes, o mais estudado é o chá verde, pois é, de fato, considerado como um alimento funcional.

Estudos recentes confirmaram alguns benefícios importantes para a saúde, em relação ao seu consumo regular, demonstrando que o chá verde tem propriedades funcionais e que, quando incluído na alimentação diária, pode trazer benefícios fisiológicos específicos. Estudos asiáticos demonstram que o consumo diário do chá verde pode estar associado à diminuição dos riscos para doenças cardiovasculares. A medicina chinesa tradicional recomenda há tempos o consumo do chá, pois o considera uma bebida benéfica à saúde, devido às suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, anti-hipertensivas, antidiabéticas, anti-mutagênicas (evita câncer) e no controle de peso – muito disto devido às catequinas e flavonoides. Outros estudos in vitro e in vivo sugerem que o chá verde possui, de fato, esta capacidade.

A American Dietetic Association sugere o consumo de 4-6 xícaras de chá verde ao dia (deve ser fracionado ao longo do dia), a fim de obter seus efeitos benéficos. A forma de preparo também deve ser considerada, pois fazer o chá de maneira errada pode fazer com que ele perca grande parte das suas propriedades.

O armazenamento por longo tempo também não é recomendado, pois ocorre perda dos compostos fenólicos. A proporção de água e ervas deve ser: para cada litro de água, quatro colheres de sopa de erva fresca ou duas colheres de erva seca. Outra sugestão é que deve ser consumido entre as refeições para não interferir na biodisponibilidade (absorção e utilização dos nutrientes) de minerais provenientes das grandes refeições.

Alguns estudos recomendam que a ingestão diária deste chá seja em doses moderadas (até 300mg/dia), pois seu consumo excessivo, a médio e longo prazo, pode levar à disfunção hepática, problemas gastrointestinais como constipação e até mesmo, à diminuição do apetite, insônia, hiperatividade, nervosismo, hipertensão, aumento dos batimentos cardíacos e irritação gástrica. Os autores ainda complementam que altas doses podem causar efeitos adversos significantes pelo conteúdo de cafeína, como palpitações, dor de cabeça e vertigem.

  • Illicium verum, o anis estrelado: Em ensaios in vitro, o anetol – principal óleo essencial do anis estrelado – apresentou atividade inibitória contra a Escherichia coli . Em outro estudo, o chá de anis estrelado apresentou atividade inibitória contra 67 cepas de bactérias resistentes aos medicamentos usuais, como Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. O anis estrelado possui, portanto, atividade antimicrobiana comprovada. E não é só: estudos comprovaram a potente atividade antioxidante do anis estrelado. Isto quer dizer que ele evita danos celulares causadores de cânceres, envelhecimento precoce, Alzheimer, Parkinson, arteriosclerose e outras doenças.
  • camomilaMatricaria recutita, a camomila: a parte floral da camomila possui óleo essencial, responsável por diversos efeitos farmacológicos, como calmante, anti-inflamatório, analgésico, antiespasmódico, antiflatulento e cicatrizante. O armazenamento por longo tempo também não é recomendado, pois ocorre perda dos compostos fenólicos. A proporção de água e ervas deve ser: para cada litro de água, quatro colheres de sopa de erva fresca ou duas colheres de erva seca. Outra sugestão é que deve ser consumido entre as refeições para não interferir na biodisponibilidade (absorção e utilização dos nutrientes) de minerais provenientes das grandes refeições.
  • hortelãMentha s. p., a hortelã: o chá de hortelã é muito indicado para resfriados, tosses, cólicas menstruais e diarreia. O ponto mais estudado (e bem referido) da hortelã é no tratamento de pessoas com síndrome do intestino irritável. Esta síndrome causa dor e distensão abdominal, além de diarreia constante. Vários estudos comprovaram a eficácia da hortelã na redução da dor em portadores de intestino irritável, comprovando seu efeito analgésico. Outra pesquisa apontou os óleos essenciais da hortelã como potentes antieméticos (contra náuseas e vômitos) nos pacientes em quimioterapia. Houve uma redução significativa na intensidade e do número de eventos eméticos nas primeiras 24h, sugerindo que a hortelã é, de fato, um tratamento eficaz.
  • dillPimpinella anisum, a erva doce: a erva-doce, ou anis, é comumente utilizada como carminativo (anti-flatulentos) e galactagogue (aumenta ou induz a produção de leite). Existem diversos estudos relacionando a erva-doce a atividades antimicrobianas, antifúngicas, antivirais, analgésicas e anticonvulsivantes, além de atuar como antioxidante, relaxante muscular, neuroprotetor e como protetora do sistema gastrintestinal. Ela também pode reduzir a dependência de morfina e tem efeitos benéficos sobre a dismenorreia (cólicas menstruais) e calores da menopausa nas mulheres. Em pacientes diabéticos, alguns ensaios clínicos mostraram efeito hipoglicemiante (reduz as taxas de açúcar no sangue) e hipolipemiante (reduz as taxas de gordura no sangue).

São tantos chás legais que não da para colocar tudo em um post só. Então aguarde!
Em poucos dias publicaremos nosso segundo post sobre cs!!!

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3 Responses to “Terapia dos chás – parte 1”

  1. [...] um post sobre o poder dos chás, onde falamos sobre chá verde, anis estrelado, camomila, hortelã e erva [...]

  2. […] maravilha, o chá deve ser preparado de forma correta para que não haja perda dos seus efeitos. Saiba mais sobre os benefícios desta belezinha e de como prepará-lo adequadamente aqui! Além do preparo correto, o chá verde deve ser feito com folhas de […]

  3. […] saber mais sobre as propriedades e benefícios de chás? Clique aqui. São dois posts […]

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